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Parasitas

Doença do Carrapato em Cachorro: Sintomas, Tratamento e Prevenção

Por Dra. Anna Helou, Médica Veterinária

Publicado em Atualizado em 10 min de leitura

Resposta rápida

"Doença do carrapato" é o nome popular para infecções transmitidas pelo carrapato-marrom-do-cão — principalmente erliquiose e babesiose (às vezes também anaplasmose e hepatozoonose). Os sinais mais comuns são febre, falta de apetite, apatia, gengiva pálida e manchinhas de sangue na pele. Tem tratamento, e quanto antes o diagnóstico por exame de sangue, melhor.

Cachorro de pelo curto deitado na grama do quintal
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Semana passada você tirou um carrapato do seu cachorro e, agora, ele está quieto no canto, sem vontade de comer. A pergunta aparece na hora: será a doença do carrapato?

Essa dúvida é muito comum entre tutores de Goiás, e com razão: calor quase o ano todo, quintal, muro com fresta e casinha formam o ambiente perfeito para o carrapato-marrom.

A seguir, você vê quais sinais observar, como é o diagnóstico e, principalmente, como proteger o seu cão.

O que é a doença do carrapato?

“Doença do carrapato” não é uma doença só. É o nome popular de um grupo de infecções que o carrapato pode passar para o cão quando se alimenta do sangue dele. As mais comuns no Brasil são a erliquiose e a babesiose, e o principal transmissor é o Rhipicephalus sanguineus, o carrapato-marrom-do-cão.

Também entram nesse grupo a anaplasmose, que afeta as plaquetas, e a hepatozoonose, com uma diferença: o cão se infecta ao engolir um carrapato contaminado, por exemplo ao se lamber, e não pela picada.

Qual a diferença entre erliquiose e babesiose?

As duas são transmitidas pelo mesmo carrapato, mas são causadas por organismos diferentes e atacam partes diferentes do sangue. Veja o resumo:

Característica Erliquiose Babesiose
Causador Bactéria (Ehrlichia canis) Protozoário (Babesia)
O que ataca Células de defesa, com queda das plaquetas Glóbulos vermelhos
Sinais mais marcantes Febre, apatia, manchinhas roxas, sangramento pelo nariz Anemia, gengiva pálida ou amarelada, urina escura
Pode passar um tempo sem sinais? Sim, às vezes por meses Sim, alguns cães ficam sem sinais claros

O que é erliquiose?

A erliquiose é causada por uma bactéria, a Ehrlichia canis, que se instala dentro das células de defesa do cão. Ela pode evoluir em três fases:

  • Aguda: começa de uma a três semanas depois da infecção, com febre, apatia, falta de apetite e queda das plaquetas, o que favorece pequenos sangramentos.
  • Subclínica: o cão parece bem, sem sinal nenhum, mas a bactéria continua no organismo. Essa fase pode durar meses ou até anos.
  • Crônica: a medula óssea, que produz as células do sangue, fica comprometida. Aparecem anemia, sangramentos, emagrecimento e mais facilidade para pegar outras infecções.

Nem todo cão passa pelas três fases, e tratar cedo ajuda a evitar que a doença avance.

O que é babesiose?

A babesiose é causada por um protozoário do gênero Babesia, que invade e destrói os glóbulos vermelhos. A consequência principal é a anemia, que pode se instalar de forma rápida.

Os sinais mais típicos são gengiva e mucosas pálidas ou amareladas, urina escura (cor de chá forte ou de café), fraqueza, cansaço fácil e febre. Em filhotes, o quadro costuma ser mais intenso.

Meu cão pode ter as duas ao mesmo tempo?

Pode, e isso não é raro. Como o mesmo carrapato transmite as duas, o cão pode se infectar com ambas, e essa infecção dupla pode deixar o quadro mais intenso.

Quais são os sintomas da doença do carrapato?

Os sinais variam conforme a doença, a fase e o organismo de cada cão. Fique de olho se o seu cachorro apresentar:

  • febre (o corpo fica mais quente, mas só o termômetro confirma);
  • apatia: mais quieto, dormindo mais, sem vontade de brincar;
  • falta de apetite e emagrecimento;
  • gengiva pálida, esbranquiçada ou amarelada;
  • manchinhas vermelhas ou roxas na pele, na barriga ou na gengiva;
  • sangramento pelo nariz, sangue na urina ou nas fezes, ou urina muito escura;
  • vômito;
  • olhos avermelhados ou opacos;
  • ínguas (linfonodos) aumentadas;
  • fraqueza, dificuldade para levantar ou dor ao se movimentar.

Nenhum desses sinais, sozinho, confirma a doença. Mas, se o seu cão teve carrapato nas últimas semanas e mudou de comportamento, converse com o veterinário sem esperar piorar. Vale lembrar que nem sempre o tutor chega a ver o carrapato.

Quando procurar atendimento imediatamente?

Alguns sinais não devem esperar: gengiva muito branca, sangramento que não para, urina escura, fraqueza forte, desmaio ou respiração ofegante mesmo em repouso. Nesses casos, procure atendimento imediatamente. Se o seu veterinário não estiver disponível naquele momento, procure um serviço veterinário de pronto-atendimento 24 horas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com exame de sangue, junto com o exame físico e o histórico do cão. Só o sintoma não basta: febre, apatia e falta de apetite aparecem em muitas outras doenças, e alguns quadros podem até ser confundidos com cinomose.

Os exames mais usados são:

  • Hemograma: mostra anemia, queda de plaquetas e alterações nas células de defesa.
  • Pesquisa de hemoparasitas: o sangue é analisado no microscópio em busca do parasita.
  • Testes sorológicos: procuram anticorpos, sinal de que o cão já teve contato com o agente.
  • PCR: detecta o material genético do agente e ajuda a confirmar qual infecção está presente.

O veterinário escolhe os exames conforme cada caso. Um teste negativo nem sempre descarta a infecção, por isso a interpretação precisa ser feita por um profissional.

Doença do carrapato tem cura? Como é o tratamento?

Tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, melhor costuma ser a resposta. Na fase aguda, muitos cães começam a melhorar nos primeiros dias de medicação, mas isso não quer dizer que a infecção acabou.

O tratamento é sempre prescrito pelo médico-veterinário, conforme o agente encontrado e a condição geral do cão. Em geral, a erliquiose é tratada com antibiótico específico e a babesiose, com medicação própria contra o protozoário. Casos com anemia forte podem precisar de soro, outros cuidados de suporte e, às vezes, transfusão de sangue.

Por que não pode parar o remédio antes do tempo?

Porque o cão costuma melhorar antes de o agente ser eliminado. Se o tratamento parar cedo, a infecção pode voltar ou seguir silenciosa até a fase crônica, mais difícil de tratar. Siga o tempo combinado e faça os exames de controle que o veterinário pedir.

Posso medicar meu cachorro por conta própria?

Não. Usar o antibiótico que sobrou de outro tratamento ou o remédio indicado pelo vizinho pode mascarar os sinais, atrapalhar o diagnóstico e causar efeitos colaterais.

Doença do carrapato pega em gente?

O cachorro não passa a doença para você por carinho, lambida ou convivência. A transmissão depende da picada de um carrapato infectado.

Infecções em pessoas pelos mesmos agentes que causam a doença do carrapato no cão são raras. Mas outros carrapatos transmitem doenças a humanos, como a febre maculosa, passada principalmente pelo carrapato-estrela, comum em pasto e mato. O cão pode trazer esse carrapato para casa depois de um passeio.

Por isso, alguns cuidados valem para toda a família:

  • não esmague carrapatos com os dedos; use pinça ou luvas e lave as mãos depois;
  • se você tiver febre, dor no corpo ou manchas na pele depois de uma picada, procure um médico e conte sobre o carrapato.

Por que Goiás é zona de risco?

O carrapato-marrom-do-cão gosta de calor. Em Goiás, com temperatura alta durante boa parte do ano, o ciclo dele quase não para, e as infestações podem acontecer em qualquer estação.

Ele também é um carrapato “de casa”: se esconde em frestas de muro, rodapés, casinhas, entulho e cantos do quintal. Cidades com muito quintal e casas de chácara, como Piracanjuba e as cidades vizinhas, oferecem esse ambiente. Em Goiânia, o risco também existe em casas com área externa e até em apartamentos, quando o cão leva o carrapato para dentro.

Na zona rural, o contato com pasto e animais de criação ainda expõe o cão a outros tipos de carrapato.

Como prevenir a doença do carrapato de verdade?

A prevenção funciona quando três frentes andam juntas: proteger o cão, cuidar do ambiente e conferir o corpo dele com frequência.

Qual antiparasitário usar e com que frequência?

O antiparasitário existe em várias formas, como comprimido, coleira e aplicação na pele. O mais adequado depende do peso, da idade e da rotina do seu cão e deve ser indicado pelo veterinário. Muitos também protegem contra pulgas, tema do artigo sobre pulga em cachorro e gato.

O segredo é a regularidade: usar no intervalo certo, sem pular meses, mesmo quando você não vê carrapato. Ainda assim, nenhum produto elimina o risco sozinho, por isso o ambiente e a checagem do corpo também contam.

Se houver gato em casa, não use nele produto feito para cachorro: algumas substâncias seguras para o cão são tóxicas para gatos.

Como controlar o carrapato no ambiente?

A maior parte da vida do carrapato acontece fora do cão. A fêmea se alimenta, cai no chão e coloca milhares de ovos em frestas e cantos escondidos. Por isso, numa infestação, tratar só o cachorro costuma não bastar. Algumas medidas ajudam:

  • vede frestas de muros e rodapés quando possível;
  • recolha entulho, madeira e telhas encostadas;
  • lave com frequência a casinha e as cobertas do cão;
  • se precisar aplicar produto no ambiente, siga a orientação de um profissional e mantenha os animais (e as crianças) longe pelo tempo indicado.

O passo a passo completo para o quintal está em carrapato no quintal.

Onde procurar carrapato no corpo do cão?

Com frequência, e sempre depois de passeios no mato, passe a mão devagar pelo corpo do cachorro, contra o pelo, e confira com atenção:

  • dentro e atrás das orelhas;
  • entre os dedos das patas;
  • axilas;
  • virilha;
  • pescoço, embaixo da coleira, e a região perto do rabo.

Como tirar o carrapato do jeito certo?

Use uma pinça de ponta fina ou um removedor próprio. Segure o carrapato o mais perto possível da pele e puxe com firmeza, de forma contínua, sem apertar o corpo dele. Depois, coloque-o em um pote com álcool, lave as mãos e observe o local por alguns dias.

Não queime o carrapato e não passe óleo, querosene ou esmalte para ele “se soltar”. Isso pode ferir a pele do cão e fazer o carrapato liberar mais saliva no local, o que aumentaria o risco de transmissão. Os detalhes estão em como tirar carrapato do cachorro.

E os remédios caseiros?

Não são recomendados. Vinagre, alho, óleos e misturas caseiras não tratam a infecção no sangue e não substituem o antiparasitário.

Alguns ainda fazem mal: o alho, por exemplo, está entre os alimentos proibidos para cachorro. Produtos de uso agrícola ou feitos para gado e cavalo também não devem ser passados no cão, porque podem intoxicá-lo.

Na prática, com a Dra. Anna Helou

Como eu cuido disso nos meus atendimentos

Meu atendimento é domiciliar, em Piracanjuba, nas cidades da região e em Goiânia. Quando um tutor me chama porque achou carrapato ou porque o cão está diferente, examino o cachorro em casa, onde ele costuma ficar mais tranquilo, sem o estresse do carro e da sala de espera.

No exame, olho a cor da gengiva e dos olhos, meço a temperatura, apalpo os linfonodos e procuro manchinhas na pele e carrapatos nas orelhas, entre os dedos, nas axilas e na virilha. Se houver suspeita, faço a coleta de sangue ali mesmo, em casa.

Quando o resultado chega, explico o hemograma com calma, mostrando o que cada alteração quer dizer. Se for preciso tratar, conto para que serve cada remédio que prescrevo e combinamos juntos como encaixar isso na rotina da casa. Durante esse período, acompanho a evolução pelo WhatsApp: o tutor me conta como o cão está comendo e me avisa se algo mudar.

Também aproveito a visita para olhar o quintal com o tutor e montar um plano de prevenção que faça sentido para aquela casa.

Se o seu cão teve contato com carrapato e mudou de comportamento, não espere os sinais aumentarem. E lembre-se: só o médico-veterinário pode diagnosticar e prescrever o tratamento certo para o seu cachorro.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Doença do carrapato mata?

Pode ser grave se não for tratada, principalmente quando causa anemia forte, sangramentos ou quando a erliquiose chega à fase crônica. Com diagnóstico precoce e tratamento completo, muitos cães se recuperam bem, por isso vale procurar o veterinário logo nos primeiros sinais.

Cachorro pega doença do carrapato duas vezes?

Pode pegar. Ter tido a doença não deixa o cão protegido, e ele pode se infectar de novo se for picado por outro carrapato contaminado. Por isso a prevenção continua depois do tratamento.

Gato pega doença do carrapato?

É bem menos comum. O carrapato-marrom prefere o cão, e erliquiose e babesiose são problemas principalmente dos cachorros. Mesmo assim, gatos podem ter carrapatos e outras infecções no sangue, então apatia, falta de apetite ou gengiva pálida no gato também pedem avaliação.

Quanto tempo dura o tratamento da doença do carrapato?

Depende da doença e de cada caso: na erliquiose o tratamento costuma levar algumas semanas, e na babesiose o esquema é diferente. Quem define o tempo é o veterinário, e o remédio não deve ser interrompido antes do fim, mesmo que o cão pareça melhor.

Posso dar remédio caseiro para doença do carrapato?

Não é recomendado. Receitas caseiras não tratam a infecção no sangue, atrasam o diagnóstico e algumas, como as que usam alho ou produtos de uso agrícola, podem intoxicar o cão.

Achei carrapato no quintal: o que fazer?

Cuide do ambiente e dos animais ao mesmo tempo: mantenha o antiparasitário do cão em dia, vede frestas, recolha entulho e lave a casinha e as cobertas dele. Se for usar produto no ambiente, siga a orientação de um profissional e mantenha os animais longe durante e depois da aplicação, pelo tempo indicado.

Conteúdo educativo. Diagnóstico e tratamento só com avaliação do médico-veterinário.

Quem escreveu

Dra. Anna Helou

Médica VeterináriaCRMV-GO nº [PREENCHER]

Atendo cães e gatos em casa, em Piracanjuba, região e Goiânia, e escrevo aqui para explicar com calma o que acontece com o seu pet e quando vale chamar o veterinário.

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