Calendário de vacinas do cachorro: guia completo por idade
Por Dra. Anna Helou, Médica Veterinária
Publicado em Atualizado em 10 min de leitura
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O calendário de vacinas do cachorro costuma começar entre 6 e 8 semanas de vida com a polivalente (V8 ou V10), repetida a cada 3 ou 4 semanas até por volta de 16 semanas de idade ou um pouco mais. A antirrábica entra a partir de 12 semanas e, depois, os reforços costumam ser anuais. O protocolo final do seu cão é definido na consulta.

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Chegou um filhote em casa e, junto com a alegria, veio a lista de dúvidas: quando é a primeira vacina, quantas doses são, qual a diferença entre V8 e V10 e, principalmente, quando ele vai poder passear.
O calendário de vacinas do cachorro parece complicado à primeira vista, mas segue uma lógica simples quando você entende o porquê de cada etapa. A seguir, você encontra o esquema por idade, as vacinas essenciais e opcionais, o que fazer se uma dose atrasou e os sinais de reação que pedem atenção.
Vale combinar desde já: as idades deste guia são uma referência educativa. O protocolo final do seu cão é definido na consulta, depois do exame e da conversa sobre a rotina dele.
Por que o cachorro precisa tomar vacina?
A vacina ensina o organismo do cão a reconhecer vírus e bactérias antes de um contato real. Assim, se ele for exposto, a defesa já sabe como reagir e responde mais rápido.
As doenças cobertas pelas vacinas essenciais podem ser graves se não forem prevenidas. Entre elas estão a cinomose, a parvovirose, a hepatite infecciosa canina, a leptospirose e a raiva. Alguns desses agentes, como o vírus da parvovirose, resistem por bastante tempo no ambiente, o que faz da vacinação o principal meio de proteção.
Além de proteger o seu cão, a vacina ajuda a proteger a sua família. A raiva e a leptospirose podem passar para pessoas. Por isso a antirrábica é considerada essencial para todo cão, e o comprovante dela costuma ser pedido em viagens.
Quais vacinas o cachorro deve tomar?
Quais são as vacinas essenciais?
São as recomendadas para todo cão, seja qual for a rotina dele: apartamento, casa com quintal ou chácara.
- Polivalente (V8 ou V10): protege contra cinomose, parvovirose, adenovírus (hepatite infecciosa canina e doença respiratória), coronavírus canino, parainfluenza e leptospirose. A diferença entre as duas está, principalmente, na quantidade de tipos de leptospira cobertos. A comparação completa está no artigo sobre vacina V8 ou V10.
- Antirrábica: protege contra a raiva, doença que também afeta pessoas.
Quais vacinas opcionais podem fazer sentido para o meu cão?
Outras vacinas não são para todos os cães, mas podem fazer sentido de acordo com a rotina de cada um:
- Gripe canina (tosse dos canis): costuma ser indicada para cães que frequentam creche, hotel, banho e tosa, adestramento ou lugares com muitos cachorros juntos.
- Giárdia: a indicação é discutida caso a caso, considerando o ambiente e o histórico do cão.
- Leishmaniose: a vacina é indicada só em situações específicas e depois de um exame que mostre que o cão não tem a doença. Ela não substitui as outras medidas de proteção contra o mosquito-palha, que transmite a leishmaniose.
Como fica o calendário de vacinas do cachorro por idade?
A tabela mostra o esquema mais usado como referência para filhotes. As idades são aproximadas e podem mudar conforme a saúde do filhote, a idade em que ele começou e o risco da região onde vive.
| Idade aproximada | Vacina | Observação |
|---|---|---|
| 6 a 8 semanas | Polivalente (V8 ou V10), 1ª dose | Início da série |
| 3 a 4 semanas depois | Polivalente, 2ª dose | Intervalo definido na consulta |
| 3 a 4 semanas depois | Polivalente, 3ª dose | Pode haver uma 4ª dose, conforme a idade de início |
| A partir de 12 semanas | Antirrábica | Dose do primeiro ano |
| Por volta de 16 semanas ou um pouco mais | Última dose da polivalente | Fecha a série do filhote |
| A cada ano | Reforço da polivalente e da antirrábica | Data anotada na carteirinha |
| Conforme o risco | Gripe canina, giárdia, leishmaniose | Avaliadas na consulta |
É comum, por exemplo, o veterinário ajustar o número de doses de um filhote que chegou mais velho ou que já tomou alguma vacina antes da adoção.
A vermifugação também começa nas primeiras semanas de vida e costuma caminhar junto com as vacinas. Para entender os intervalos, veja o guia sobre vermífugo para cachorro.
E o cachorro adulto que nunca foi vacinado?
Um cão adulto sem histórico de vacina também pode e deve ser vacinado. Em geral, ele recebe duas doses da polivalente, com intervalo de 3 a 4 semanas, e uma dose da antirrábica. Depois, segue com o reforço anual.
Antes de vacinar, o veterinário avalia se o cão está saudável. Um animal com febre, diarreia ou outro problema ativo costuma esperar a recuperação para receber a dose.
E se o reforço atrasou?
Acontece. O importante é não deixar o atraso crescer. Dependendo de quanto tempo passou, o veterinário pode indicar só a dose atrasada ou recomeçar parte do esquema, e sem avaliação não dá para saber qual é o caso do seu cão.
Por que o filhote toma tantas doses?
Nas primeiras semanas de vida, o filhote recebe anticorpos da mãe, principalmente pelo colostro, o primeiro leite. Esses anticorpos ajudam a protegê-lo no começo, mas também podem impedir que a vacina faça efeito.
Não dá para saber, só olhando, em que momento os anticorpos da mãe deixam de agir em cada filhote. Por isso a vacina é repetida em intervalos até por volta de 16 semanas: assim, uma das doses encontra o organismo pronto para responder.
Em alguns filhotes, esses anticorpos duram um pouco mais. É um dos motivos para não esquecer o primeiro reforço, que alguns protocolos antecipam para por volta dos 6 meses de idade.
Isso também explica por que uma única dose não basta. O filhote que tomou só a primeira vacina ainda não pode ser considerado protegido, mesmo que pareça forte e cheio de energia.
Filhote pode sair de casa antes de terminar as vacinas?
O mais seguro é esperar. Até completar a série da polivalente e o prazo que o veterinário indicar depois da última dose, o ideal é que o filhote não ande no chão da rua, de praças ou de lugares por onde circulam outros cães.
O motivo é que alguns vírus, como o da parvovirose, podem permanecer no ambiente por muito tempo e chegar ao filhote por fezes, terra e objetos contaminados. Um cão adulto com as vacinas em dia tem defesa contra essa exposição. O filhote sem a série completa ainda não tem.
Dá para socializar o filhote mesmo sem passear?
Dá, e é recomendável. A fase de filhote é a melhor para ele se acostumar com o mundo, e boa parte disso pode acontecer em casa:
- levar o filhote no colo para ver o movimento da rua, sem colocá-lo no chão;
- apresentar aos poucos os sons da casa, como liquidificador, aspirador e campainha;
- acostumá-lo a ser tocado nas patas, nas orelhas e na boca;
- receber visitas de pessoas e de cães adultos saudáveis e com vacinas em dia.
Quando a série terminar e o veterinário liberar, os passeios podem começar curtos e ir aumentando com o tempo.
Vacinar o filhote em casa faz diferença?
Faz, principalmente nessa fase em que a proteção ainda não está completa. Para tomar a vacina fora de casa, o filhote precisa sair, andar de carro e, muitas vezes, esperar em um ambiente por onde circulam outros animais. É justamente a exposição que se tenta evitar até o fim da série.
Com a vacinação em casa, o filhote sem vacina não circula. Ele recebe a dose no próprio ambiente, sem o estresse do transporte, e você consegue tirar dúvidas com calma. Para cães idosos, ansiosos ou que enjoam no carro, a vantagem é parecida.
Para que serve a carteirinha de vacinação?
A carteirinha é o documento de saúde do seu cão. Nela ficam registrados:
- a data de cada vacina aplicada;
- a etiqueta da vacina, com o número do lote;
- a assinatura e o carimbo do médico-veterinário;
- a data prevista para a próxima dose.
Guarde a carteirinha em um lugar fácil e tire uma foto de cada página atualizada. Ela costuma ser pedida em hotéis, creches, banho e tosa e na emissão do atestado de saúde para viagem.
Se você adotou um cão que já tinha carteirinha, mostre ao veterinário na consulta. Ela ajuda a montar o calendário certo, sem repetir doses à toa e sem deixar nenhuma de fora.
Reação de vacina em cachorro: o que é normal e o que não é?
A maioria dos cães não tem reação nenhuma ou tem sinais leves, que passam sozinhos. Saber diferenciar o esperado do que precisa de atenção deixa o dia da vacina bem mais tranquilo.
Quais reações são comuns e passageiras?
- dor ou sensibilidade no local da aplicação;
- um pequeno caroço no local, que vai diminuindo com os dias;
- sono e mais quietude nas primeiras horas;
- apetite um pouco menor por um ou dois dias;
- febre baixa e passageira.
Nesses casos, deixe o cão descansar em um lugar tranquilo, com água fresca à vontade, e observe. Não dê nenhum remédio por conta própria, nem de uso humano nem caseiro: isso não é recomendado, pode fazer mal ao cão e atrapalhar a avaliação. Se os sinais durarem mais de dois dias ou piorarem, avise o veterinário.
Quais sinais pedem atendimento imediato?
As reações mais fortes são raras, mas pedem ação rápida:
- inchaço no focinho, nos olhos ou no rosto;
- placas vermelhas na pele ou coceira intensa;
- vômitos repetidos ou diarreia;
- dificuldade para respirar;
- fraqueza intensa, desmaio ou gengiva muito pálida.
Se notar algum desses sinais, procure atendimento imediatamente. Se o veterinário que aplicou a vacina não estiver disponível naquele momento, vá a um serviço veterinário de plantão 24h. Para entender quando o vômito preocupa em outras situações, veja o artigo sobre cachorro vomitando.
Um caroço que aumenta de tamanho ou continua no local depois de algumas semanas também merece avaliação, mesmo que o cão esteja bem. E, antes da próxima dose, conte ao veterinário qualquer reação que ele teve: isso ajuda a planejar as próximas aplicações com mais segurança.
Cachorro vacinado pode pegar doença?
A vacina reduz muito o risco e, quando a doença aparece mesmo assim, ela costuma ser mais leve. Mas nenhuma vacina oferece proteção absoluta, e o resultado depende também de o esquema estar completo e em dia. No caso da leptospirose, por exemplo, a proteção vale para os tipos de leptospira incluídos na vacina.
As vacinas do calendário também não protegem contra a doença do carrapato. Para isso, o caminho é a prevenção contra parasitas indicada pelo veterinário. Aqui em Goiás, com o calor e tantas casas com quintal, essa prevenção anda junto com a carteirinha em dia.
Na prática, com a Dra. Anna Helou
Como eu cuido disso nos meus atendimentos
Quando vou vacinar um cão em casa, começo pela conversa: quero saber a idade, de onde ele veio, se já tomou alguma vacina, como está comendo e se teve vômito ou diarreia nos últimos dias. Depois faço o exame físico, com temperatura, hidratação, cor da gengiva, coração, pulmões e pele. Só vacino se ele estiver em condições de receber a dose.
Em seguida, explico com calma o calendário que faz sentido para aquele cão, por que cada dose existe e quais são as próximas datas. Preencho a carteirinha na hora e já combino com você o retorno. Atendo em Piracanjuba, na região e em Goiânia, e, nos dias seguintes à vacina, você pode me chamar no WhatsApp se tiver qualquer dúvida sobre como ele está reagindo.
Ter o calendário em mãos ajuda você a não perder datas e a chegar à consulta sabendo o que perguntar. Mas cada cão tem uma história, uma rotina e uma saúde diferentes, e só o médico-veterinário pode diagnosticar e prescrever o protocolo de vacinas certo para ele.
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Com quantos dias o filhote toma a primeira vacina?
Em geral, a primeira dose da polivalente é aplicada entre 6 e 8 semanas de vida, ou seja, por volta de 42 a 56 dias. A data exata é definida na consulta, conforme a saúde e a história do filhote.
Quantas doses de V8 ou V10 o filhote precisa tomar?
Normalmente são de 3 a 4 doses, com intervalo de 3 a 4 semanas entre elas, até a última cair por volta de 16 semanas de idade ou um pouco depois. O número exato depende da idade em que a série começou.
Quando o filhote pode passear na rua?
O mais seguro é esperar a série completa e o prazo que o veterinário indicar depois da última dose. Até lá, dá para socializar o filhote com segurança em casa e no colo.
Cachorro adulto precisa tomar vacina todo ano?
Na maioria dos casos, sim. A proteção contra a leptospirose, que faz parte da V8 e da V10, dura menos, e por isso o reforço da polivalente costuma ser anual, assim como o da antirrábica. A data do próximo reforço fica anotada na carteirinha.
É normal o cachorro ficar quieto depois da vacina?
Sim, um pouco de sono, dor no local e apetite menor por um ou dois dias são reações comuns e passageiras. Já inchaço no rosto, vômitos repetidos ou dificuldade para respirar pedem atendimento imediato, com o seu veterinário ou em um plantão 24h.
Atrasei o reforço da vacina do meu cachorro, e agora?
Não precisa se desesperar, mas também não vale adiar mais. Fale com o veterinário: dependendo do tempo de atraso, ele pode indicar só a dose atrasada ou recomeçar parte do esquema.
Conteúdo educativo. Diagnóstico e tratamento só com avaliação do médico-veterinário.
Quem escreveu
Dra. Anna Helou
Médica VeterináriaCRMV-GO nº [PREENCHER]
Atendo cães e gatos em casa, em Piracanjuba, região e Goiânia, e escrevo aqui para explicar com calma o que acontece com o seu pet e quando vale chamar o veterinário.
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