Pular para o conteúdo
Anna HelouMédica Veterinária, página inicialAgendar
Vacinas

Vacinas do gato: V3, V4, V5 e antirrábica

Por Dra. Anna Helou, Médica Veterinária

Publicado em Atualizado em 10 min de leitura

Resposta rápida

A V3 protege o gato contra panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose; a V4 acrescenta a clamidiose; e a V5 soma a proteção contra a leucemia felina (FeLV), por isso só deve ser aplicada depois de um teste negativo para esse vírus. A antirrábica é uma vacina separada. O filhote costuma começar as doses por volta dos dois meses, e o veterinário define o esquema certo para a rotina do seu gato.

Gato filhote deitado em uma manta
Neste artigo11 tópicos · toque para abrir

Gato é mestre em esconder que não está bem. Muitas vezes, quando o tutor percebe que algo mudou, a doença já avançou alguns passos. Por isso a vacinação é uma das formas mais simples de cuidar dele antes que um problema apareça.

O difícil é entender as siglas: V3, V4, V5, FeLV, antirrábica. Cada vacina protege contra um conjunto diferente de doenças, e nem todo gato precisa exatamente do mesmo esquema.

Quais são as vacinas do gato?

As vacinas do gato se dividem em dois grupos. As polivalentes (V3, V4 e V5) reúnem a proteção contra várias doenças em uma só aplicação. A antirrábica protege contra a raiva e é aplicada separadamente.

Vacina Protege contra
V3 (tríplice felina) panleucopenia, rinotraqueíte (herpesvírus felino) e calicivirose
V4 (quádrupla felina) as três doenças da V3 + clamidiose
V5 (quíntupla felina) as quatro doenças da V4 + leucemia felina (FeLV)
Antirrábica raiva

Pense nas polivalentes como uma escada: cada número a mais acrescenta uma doença à lista. Subir a escada não é obrigatório para todo gato. O que define a vacina certa é a rotina dele.

O que a V3 protege?

A V3 cobre as três doenças consideradas essenciais para todos os gatos, independentemente de onde eles vivem.

O que é a panleucopenia?

É causada pelo parvovírus felino, que ataca principalmente o intestino e a medula óssea, derrubando as células de defesa do sangue. Provoca vômito, diarreia, febre, apatia e falta de apetite, e pode ser grave se não tratada, sobretudo em filhotes. O vírus é muito resistente e pode sobreviver por meses no ambiente.

O que é a rinotraqueíte (herpesvírus felino)?

É a famosa “gripe do gato”: espirros, secreção no nariz e nos olhos, conjuntivite e febre. O gato que se infecta costuma carregar o vírus pelo resto da vida, e os sinais podem voltar em fases de estresse. A vacina não impede totalmente a infecção, mas costuma deixar a doença bem mais leve.

O que é a calicivirose (calicivírus felino)?

Também causa sinais respiratórios, mas é conhecida pelas feridinhas na boca e na língua, que deixam o gato com dor para comer. Em alguns casos, principalmente em filhotes, o vírus inflama as articulações, e o gato pode aparecer mancando por alguns dias. Aqui também a vacina reduz a gravidade, mas não bloqueia toda infecção.

E a V4, o que ela acrescenta?

A V4 inclui a proteção contra a clamidiose, causada pela bactéria Chlamydia felis. Ela provoca principalmente conjuntivite persistente, com olho vermelho, lacrimejamento e secreção, e é mais comum onde vivem muitos gatos juntos, como abrigos e casas com vários animais.

Para um gato que mora sozinho e não tem contato com outros, o veterinário pode considerar que a V3 é suficiente. Em casas com vários gatos ou com chegada frequente de animais novos, a V4 costuma fazer mais sentido.

V5: por que ela exige o teste de FeLV antes?

A V5 soma à V4 a proteção contra a leucemia felina (FeLV). É um vírus que enfraquece o sistema de defesa e pode levar a anemia, infecções que se repetem e alguns tipos de tumor. Ele passa de gato para gato principalmente pela saliva, em lambeduras, mordidas em brigas e comedouros e bebedouros divididos, e também da mãe para os filhotes.

A vacina previne, mas não trata. Se o gato já carrega o vírus, a V5 não traz benefício contra a FeLV. Por isso a recomendação é fazer o teste antes e vacinar contra a leucemia felina apenas os gatos com resultado negativo. O teste é feito com uma pequena amostra de sangue, e um resultado positivo pode precisar de confirmação com novo teste ou outros exames.

A V5 costuma ser indicada para gatos com acesso à rua, que convivem com gatos de saúde desconhecida ou que moram em casas onde entram gatos novos com frequência. Em filhotes, muitos veterinários preferem incluir essa proteção, porque a rotina do gato pode mudar ao longo da vida.

E a FIV, a “aids felina”?

A FIV é outro vírus importante, transmitido sobretudo por mordidas em brigas. Apesar do apelido, ela não passa para pessoas. Também não faz parte das vacinas de rotina do gato, e a prevenção passa por testar gatos novos antes de juntá-los aos outros, castrar e evitar fugas e brigas.

Antirrábica: gato também precisa?

Precisa. A raiva é uma doença grave, que não tem tratamento depois que os sinais aparecem e também pode ser transmitida para pessoas. A transmissão acontece principalmente pela mordida de um animal infectado, porque o vírus está na saliva.

No Brasil, os morcegos têm papel importante na transmissão da raiva, e o gato é caçador por natureza. Um morcego caído no quintal ou que entra pela janela à noite vira brinquedo em poucos segundos, mesmo para o gato mais caseiro.

Se encontrar um morcego caído ou dentro de casa, não pegue com as mãos e avise o controle de zoonoses do seu município. Se o gato teve contato com ele, fale com o veterinário.

A antirrábica costuma ser aplicada a partir dos três ou quatro meses de idade, com reforços periódicos. A vacina em dia também costuma ser exigida para emitir o atestado de saúde para viagem.

Qual é o calendário de vacinas do filhote de gato?

O esquema exato depende da vacina escolhida, da saúde do filhote e da avaliação do veterinário. Veja um exemplo educativo:

Idade aproximada O que costuma ser feito
A partir de 8 semanas (cerca de 2 meses) 1ª dose da polivalente (V3, V4 ou V5)
3 a 4 semanas depois 2ª dose da polivalente
Por volta de 16 semanas última dose da série inicial, quando o protocolo pede
A partir de 12 a 16 semanas (3 a 4 meses) antirrábica
Entre 6 meses e 1 ano reforço da polivalente
Depois disso reforços no intervalo que o veterinário indicar

Por que o filhote toma tantas doses?

Nas primeiras semanas, o filhote fica protegido pelos anticorpos que recebe da mãe, principalmente pelo colostro, o primeiro leite. Esses anticorpos ajudam, mas também podem neutralizar a vacina. Como não dá para saber quando essa proteção acaba em cada filhote, as doses são repetidas até a idade em que os anticorpos da mãe já não atrapalham.

Até completar o esquema, evite contato do filhote com gatos de saúde desconhecida. Aproveite as consultas de vacina para conversar também sobre vermífugo e sobre como acabar com pulgas em cães e gatos.

E o gato adulto ou resgatado?

Gato adulto sem histórico de vacinas também pode ser vacinado. Normalmente o esquema começa com mais de uma dose da polivalente, com algumas semanas de intervalo, além da antirrábica. Para gatos resgatados da rua, o teste de FeLV (muitas vezes junto com o de FIV) antes de decidir a vacina é ainda mais importante.

Gato com febre, muito magro ou com algum problema de saúde em andamento geralmente não é vacinado no mesmo dia. Primeiro se cuida do que apareceu, e a vacina fica para quando ele estiver bem.

Gato que não sai de casa precisa de vacina?

Sim. Viver só dentro de casa diminui o risco, mas não o elimina:

  • O vírus da panleucopenia é muito resistente e pode entrar em casa no solado do sapato, na roupa ou em objetos.
  • Fugas acontecem: uma janela sem tela, um portão aberto, a época do cio.
  • Um gato novo na família pode trazer vírus sem mostrar nenhum sinal.
  • Hospedagem, viagem ou uma internação colocam o gato perto de outros animais.

Se na sua casa também tem cachorro, vale conferir o calendário de vacinas do cachorro e deixar a carteirinha de todos em dia.

Por que vacinar o gato em casa faz diferença?

Para a maioria dos gatos, a parte mais difícil da vacina não é a picada, e sim o que vem antes: a caixa de transporte, o barulho do carro, os cheiros de outros animais e a espera. O gato é muito ligado ao próprio território, e muitos passam o resto do dia escondidos ou sem comer depois dessa saída.

Em casa, o gato é examinado onde se sente seguro, e dá para observar o ambiente, a caixa de areia e a convivência com outros animais. Quando há mais de um gato, todos podem ser avaliados na mesma visita, sem a luta de colocar cada um na caixa.

Quais cuidados ter depois da vacina?

O que é normal nas primeiras 24 a 48 horas?

  • sono e mais quietude que o normal;
  • apetite um pouco menor;
  • febre leve;
  • sensibilidade ou um pequeno caroço no local da aplicação.

Deixe o gato descansar em um canto tranquilo, com água, comida e caixa de areia por perto, e evite banho, viagem ou grandes mudanças na rotina nesse período. Não dê nenhum remédio por conta própria: vários medicamentos de uso humano, como o paracetamol, são tóxicos para gatos. Compressas, pomadas e receitas caseiras no local da vacina também não são recomendadas; se algo incomodar, fale com o veterinário.

Quais sinais pedem atendimento imediato?

  • inchaço no rosto, ao redor dos olhos ou dos lábios;
  • vômitos ou diarreia que se repetem;
  • dificuldade para respirar;
  • fraqueza intensa, desmaio ou gengivas muito pálidas;
  • coceira forte ou manchas vermelhas pelo corpo.

Se notar algum desses sinais, procure atendimento imediatamente. Essas reações são incomuns e costumam aparecer nas primeiras horas depois da aplicação. Se não conseguir falar com o veterinário que aplicou a vacina, vá a um serviço de emergência veterinária 24 horas.

E o carocinho no local da vacina?

Um pequeno nódulo no local costuma sumir sozinho em algumas semanas e, na maioria das vezes, é só uma inflamação passageira. Mostre ao veterinário se ele continuar lá três meses depois da vacina, passar de dois centímetros ou ainda estiver crescendo um mês após a aplicação. Em gatos, existe um tipo raro de tumor que pode surgir no local de aplicação, e por isso vale avaliar cedo.

Na prática, com a Dra. Anna Helou

Como eu cuido disso nos meus atendimentos

Vacino gatos em casa, em Piracanjuba, na região e em Goiânia. Antes de qualquer aplicação, faço o exame clínico: escuto coração e pulmões e confiro peso, temperatura, mucosas, hidratação, boca, ouvidos, pelagem e sinais de pulga. Se o gato não estiver bem naquele dia, a vacina espera, e a gente cuida primeiro do que aparecer.

Converso com você sobre a rotina do seu gato (se ele sai, se convive com outros gatos, se vai chegar algum animal novo) para escolhermos juntos entre V3, V4 e V5. Quando a V5 entra na conversa, explico com calma como funciona o teste de FeLV e por que ele vem antes.

Também respeito o tempo do gato: deixo ele me cheirar, atendo onde ele estiver mais à vontade e evito segurar mais do que o necessário. No fim, registro tudo na carteirinha, deixo anotada a data da próxima dose e fico à disposição pelo WhatsApp para você me contar como ele passou os dias seguintes.

Vacina é uma parte do cuidado, e a alimentação é outra: vale conhecer os alimentos proibidos para gatos. Use este guia para chegar à consulta com as dúvidas certas, lembrando que só o médico-veterinário pode diagnosticar e prescrever o esquema de vacinas certo para o seu gato.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Gato que não sai de casa precisa tomar vacina?

Precisa. O vírus da panleucopenia resiste muito tempo no ambiente e pode entrar em casa no sapato ou na roupa; além disso, fugas acontecem e morcegos podem entrar pela janela. Para o gato que vive só dentro de casa, o que pode mudar é a escolha da vacina, não a necessidade de vacinar.

Qual é melhor: V3, V4 ou V5?

Não existe uma vacina melhor para todos os gatos. A escolha depende da idade, do contato com outros gatos, do acesso à rua e do resultado do teste de FeLV, e quem define é o médico-veterinário.

Posso dar a V5 sem fazer o teste de FeLV?

Não é o recomendado. A vacina contra a leucemia felina previne, mas não trata um gato que já tem o vírus, então o teste negativo antes da V5 evita uma aplicação sem benefício e ajuda a planejar os cuidados.

Gato adulto que nunca foi vacinado ainda pode vacinar?

Pode. O veterinário avalia a saúde do gato e monta um esquema inicial, que costuma ter mais de uma dose da polivalente, além da antirrábica.

É normal o gato ficar quieto depois da vacina?

Um pouco de sono, menos apetite e sensibilidade no local por um ou dois dias costumam ser normais. Já inchaço no rosto, vômitos repetidos, dificuldade para respirar ou fraqueza intensa são motivo para procurar atendimento imediatamente.

A vacina do gato pode ser aplicada em casa?

Pode, e para muitos gatos é a forma mais tranquila. O exame clínico e a aplicação acontecem no ambiente que ele conhece, sem caixa de transporte, carro ou sala de espera.

Conteúdo educativo. Diagnóstico e tratamento só com avaliação do médico-veterinário.

Quem escreveu

Dra. Anna Helou

Médica VeterináriaCRMV-GO nº [PREENCHER]

Atendo cães e gatos em casa, em Piracanjuba, região e Goiânia, e escrevo aqui para explicar com calma o que acontece com o seu pet e quando vale chamar o veterinário.

Este conteúdo pode ajudar alguém que você conhece?

Compartilhe com quem também cuida de um pet.

Enviar no WhatsApp

Continue lendo

Outros artigos para cuidar do seu pet

Ver todos os artigos
  • Cachorro adulto sentado no jardim

    Vacinas10 min de leitura

    Vacina V8 ou V10: qual a diferença?

    V8 ou V10? Veja contra o que cada uma protege, a diferença na leptospirose e por que a escolha depende da rotina do cão. Vacina em casa em Piracanjuba e região.

  • Cachorro olhando para cima, à espera de um petisco

    Alimentação10 min de leitura

    Alimentos proibidos para cachorro: lista completa

    Chocolate, uva, cebola, xilitol e mais: veja a lista de alimentos proibidos para cachorro, por que fazem mal e o que fazer se o seu cão comer algum deles.